Entrevista Felipe Galheigo, Coordenador de Logística na Mandaê

21/06/2018  |  Redação Multicanalize

Uma logística mal planejada pode custar caro considerando que, se ela for mal estruturada e gerar problemas, acabará impactando diretamente na experiência dos clientes e no sucesso do negócio. Prova disso, estudos demonstram que companhias com excelência no gerenciamento da cadeia de suprimentos possuem uma vantagem de custo da cadeia de produção de 3% a 6% da sua receita; possuem estoque menores que os concorrentes em 50% a 80%; e apresentam uma vantagem temporal de 40% a 65% no fechamento do ciclo cash-to-cash.

 

Para falar sobre as novas tecnologias e as tendências logísticas, o omnichannel e sua relação com o crescimento das vendas e a otimização de processos, conversamos com Felipe Galheigo, Coordenador de Logística na Mandaê.

 

Formado em Engenharia de Produção, Felipe tem mais de sete anos de experiência em Logística & Supply Chain. Também possui Mestrado em Marketing Internacional, realizado em São Francisco, CA, com especialização em empreendedorismo. Já atuou na indústria de bens de consumo, consultoria, construção civil, moda e tecnologia.

Sabemos que a operação logística ainda é o pesadelo de muitas empresas. Como as companhias podem organizar toda a cadeia de encomendas, otimizando a logística e garantindo um sistema de transporte eficiente?

O primeiro passo é entender que o foco da sua loja é vender e o foco de uma empresa de transportes é garantir que o pedido saia de um ponto A para ser entregue em um ponto B. Entender os papéis de cada agente da cadeia ajuda a garantir que cada um esteja fazendo o que sabe fazer de melhor. Por isso, buscar parceiros com a expertise certa é o primeiro passo nesse processo.

 

Além disso, existem outras formas de aumentar a produtividade da cadeia de suprimentos, como, por exemplo, mapear todos os processos para compilar o máximo de informações possível sobre cada etapa logística. Isso é importante para saber como está o desempenho de um negócio em comparação à concorrência e identificar gargalos nos processos para poder investir em melhorias diretamente nos pontos cruciais.

 

Ter parceiros logísticos que compartilhem informações importantes com sua empresa também é um fator fundamental para ajudar nesse acompanhamento de desempenho e SLA de entrega e, por fim, apostar em um único sistema para a gestão da cadeia de suprimentos.

 

Uma variedade de de gerenciamento pode causar ruídos nas informações, ou seja, trazer dados incompletos e até exigir mais tempo devido à necessidade de acompanhar tantas frentes de informação.

 

Com um único ponto de gerenciamento é possível até mesmo tomar ações preventivas, diminuindo problemas e garantindo uma experiência de entrega excelente ao cliente final.

 

 

O que é o SLA de entrega e de que maneira ele pode otimizar as operações logísticas de uma empresa?

SLA de entrega é o nível de serviço acordado entre a prestadora do serviço de transporte e a empresa, seja uma loja, um e-commerce ou outro estabelecimento que irá utilizar o serviço de transporte. Esse indicador de qualidade é muito utilizado na logística para garantir que as entregas ao destino final sejam efetuadas dentro daquilo que foi previamente prometido e acordado em contrato.


Normalmente, este indicador é apresentado como um percentual das entregas realizadas dentro do prazo acordado em comparação com o total de envios realizados no período de análise. Muitos acordos comerciais possuem cláusulas de ônus (e às vezes bônus) com relação ao SLA de entrega, uma vez que um pedido entregue fora do prazo gera outros custos na cadeia, como custo de atendimento, desistência da compra, devolução e outros.

 

 

O que é a logística reversa e qual a importância dela na condução sustentável de um negócio?

A logística reversa, conhecida também como logística inversa, é um procedimento para facilitar o retorno de produtos vendidos por lojas virtuais. Isso acontece quando o consumidor solicita a devolução ou a troca de um item comprado. Alguns dos motivos de devolução são avarias, produto diferente do que foi descrito, atraso na entrega ou, então, algo que não serviu ou não atingiu a expectativa do comprador.

 

O processo de reversa tem início quando o cliente solicita na central de atendimento a troca ou o retorno de um produto comprado, tem continuidade no preparo interno da loja, que inclui a checagem da disponibilidade do novo produto no estoque para que seja embalado e reenviado na sequência. O processo só se encerra quando o novo item chega ao destinatário final e quando a mercadoria que está no processo reverso chega à loja.

 

A logística reversa deve ser gerida com cuidado, já que pode afetar diretamente a experiência e satisfação do consumidor. Nesse contexto, o tempo e a agilidade são fundamentais para determinar como o cliente vai avaliar uma loja depois da experiência do processo de compra e troca.

 

Há algumas ações que ajudam a reduzir a incidência de devoluções, são elas: apresentar características detalhadas do produto, colocar fotos em alta resolução, monitorar incidência e motivos de reversa no seu negócio e efetuar um planejamento eficaz para agir nessa situação.

 

 

O que é essencial para a operação logística de empresas que trabalham com múltiplos canais de venda, independente do setor de atuação? 

É muito importante o controle da disponibilidade de produtos, pois vender em diferentes canais significa que há um risco de não ter o produto disponível para entrega. Investir em um sistema integrado, que garante a informação nas diversas plataformas, é essencial para satisfação do consumidor final.

 

A segunda etapa é garantir uma cadeia eficiente para realizar a entrega. Uma empresa pode ter um ou dez canais de venda diferentes, mas o processo de distribuição dos produtos pode ser unificado. Não importa de que forma o consumidor comprou um produto, o objetivo será sempre garantir a entrega perfeita.

 

Com um centro de armazenamento e um parceiro logístico eficiente, é simples organizar a logística de ponta a ponta.

 

Por exemplo, com a Mandaê as encomendas são coletadas e, depois, enviadas por meio das melhores transportadoras do País. No momento do envio, nossa plataforma digital seleciona a melhor opção de transportadora com base em SLA de entrega, prazo, preço e região.

 

Ainda na plataforma da Mandaê, é possível fazer o rastreamento das encomendas junto às transportadoras de forma prática, unificada e de fácil entendimento, mantendo sempre o destinatário final informado sobre todo processo.

 

Como a logística pode ajudar na implantação de uma estratégia omnichannel? Existe alguma tendência nesse sentido?

Resumidamente, omnichannel é integrar todos os canais de vendas (online e offline) de uma empresa para que potenciais clientes possam conhecê-la, pesquisar seus produtos e visualizar sua reputação. Para esses canais integrados, uma logística eficiente faz toda a diferença para garantir uma experiência de compras de alta qualidade, independente dos meios que o consumidor optar por interagir com uma marca.

 

Uma tendência do omnichannel é o Guide Shop, um conceito de loja em que o consumidor experimenta ou testa o produto antes de comprar online. Tal espaço também pode servir para devoluções de mercadorias.

 

 

Antes da Internet, os produtos tinham um tipo de penetração junto ao consumidor, que era por meio dos pontos-de-venda. Depois isso mudou, pois a própria Internet é um ‘ponto-de-venda’. O que corresponde a logística no custo de um produto vendido pela Internet?

A quantia depende do tipo de produto comercializado. Vale lembrar que o preço do frete já faz parte da rotina de quem vende pela internet. Ou seja, não há nenhum problema na cobrança do serviço de manuseio, transporte e entrega. Se for para fazer uma comparação, o custo de frete seria uma espécie de “taxa de conveniência” pela comodidade das compras online. Porém, o público-alvo tem um limite aceitável do valor que pretende pagar pelo frete de seus pedidos, que muitas vezes é percebido como um percentual do valor do produto sendo comprado. Por exemplo, se você compra uma peça de roupa no valor de R$250 e o valor do frete é de R$10, faz sentido pagar para ter o produto entregue em sua casa. Porém, se você compra um produto de R$100 e o frete é R$25, com certeza o consumidor irá pensar duas vezes antes de fechar a compra.

Pesquisas apontam que muitos consumidores abandonam o carrinho do e-commerce em razão do valor do frete da entrega. Diante desse cenário, é possível otimizar esse custo e ter valores mais atrativos? De que maneira?

Sim, é possível tanto otimizar o custo de frete quanto ter valores mais atrativos. Hoje, uma das grandes razões que faz o consumidor desistir de uma compra é a discrepância entre o valor do produto e o valor final da transação, incluindo o preço do envio. Então, para precificar corretamente o frete e garantir a satisfação do cliente, o ideal é avaliar o perfil de encomendas, ou seja, identificar o perfil de carga por região e distribuir as encomendas entre diferentes transportadoras que atendam melhor aonde está a demanda da empresa. Outra dica é analisar a concorrência, sabendo o que outras lojas ou empresas estão oferecendo em questão de preço e prazo. Dessa forma, é possível estabelecer metas e negociar melhores condições com as transportadoras.

É importante ainda atualizar sempre a tabela de frete, já que valores incorretos podem afetar o custo do frete e impactar o valor que o consumidor visualiza quando está finalizando a compra.

 

Por fim, vale lembrar que a cubagem também influencia na precificação. Essa prática existe justamente para evitar que todo espaço de armazenagem do caminhão seja ocupado. Para que não tenha impacto no transporte, é essencial priorizar sempre o uso de caixas compatíveis com o tamanho da encomenda e, principalmente, procurar saber o fator de cubagem do parceiro logístico e se para seus envios serão considerados a precificação por peso real ou cubado.

Sistemas ERP na
estratégia omnichannel

entrevista com Samuel Gonsales