E-commerce B2E: uma nova forma de negócio

25/09/2018  |  Redação Multicanalize

De modo geral, quando falamos sobre e-commerce, imaginamos uma transação comercial entre um fornecedor e um cliente via Internet. Contudo, o comércio eletrônico consegue abranger negócios de todos os modelos, que vão desde empresas que vendem direta e especificamente para outras empresas, grandes varejistas que comercializam produtos para o cliente final, plataformas que conectam consumidores e muito mais.

Mas vai além disso. O mercado de e-commerce também abrange diferentes estratégias de acordo com o objetivo de cada empresa. E não estamos falando apenas sobre a diferença de nichos ou produtos e serviços vendidos. Nada disso. Estamos nos referindo aos diferentes tipos de e-commerce enquanto modelos de negócio.

É em meio a esse dinamismo do e-commerce que ganha força um novo modelo de negócio, o B2E – Business-to-Employee, que faz parte de uma estratégia desenvolvida pelas empresas para atrair, manter e desenvolver equipes diante de um mercado tão competitivo. Trata-se de uma variação do B2C, mas o processo de venda é realizado diretamente para os funcionários da empresa.

Partindo de um conceito de loja exclusiva, o B2E acontece quando as empresas oferecem um canal de vendas direto e reservado para os seus funcionários. Nele, os colaboradores encontram os produtos da própria empresa com condições especiais, valores menores que o varejo tradicional, recompensas especiais e formas de pagamento diferenciadas.

O objetivo da estratégia é aprimorar os programas de qualidade em métodos e processos administrativos, gestão e análise das informações de consumo, além de fortalecer o relacionamento com o público interno. Tanto as indústrias, como distribuidoras podem aproveitar os benefícios de um canal de venda B2E, mesmo que o volume de vendas não seja tão grande. A margem fica maior e o relacionamento com o consumidor, ainda mais próximo.

Mas você deve estar se perguntando “essa operação não acabaria sendo onerosa para um faturamento pouco representativo?”. Em 2016, em parceria com o grupo GS& – Gouvea de Souza, a Nestlé lançou o site Super Páscoa. A intenção da página era oferecer aos funcionários de um grande grupo de empresas a oportunidade de comprar ovos de Páscoa com preços muito vantajosos e receber os produtos próximos à data festiva.

Como resultado dessa ação, a Nestlé e o grupo GS& conseguiram ser o e-commerce que mais vendeu ovos no período, superando grandes marcas varejistas. O resultado foi tão significativo que vimos Lacta e outros players se movendo na mesma direção no ano seguinte.

Então, afinal, por que adotar uma estratégia B2E?

É um benefício para o colaborador

A Coca-Cola, por exemplo, disponibiliza serviços personalizados aos seus funcionários, como descontos em serviços, alimentação e saúde. Ao utilizar o portal da empresa para realizar atividades pessoais e profissionais no trabalho, em vez de fazê-las em casa, além de terem acesso preferencial e descontos, os funcionários ficam mais satisfeitos e demonstram mais comprometimento em suas tarefas.

O RH agradece

Posicionando o canal de vendas em parceria com o departamento de recursos humanos, o RH irá ofertar seu canal como um benefício ao colaborador. Isso ajuda no engajamento e aumenta em muito as chances de compra do produto ofertado.

 

É uma estratégia vantajosa para a empresa

Além de aumentar engajamento, comprometimento e conversão de vendas, canais B2E conseguem motivar colaboradores e, com isso, diminuir o turnover (reposição de empregados), que custa caro às empresas.

É um canal viável de negócio

Zero inadimplência ou fraude. Se utilizar o desconto em folha de pagamento, é fato que terá o recebimento do valor da compra. Você aumenta as margens e reduz os custos operacionais que teria para controle de fraude. Isso porque um colaborador pensará duas vezes antes de se tornar inadimplente no próprio lugar em que trabalha, com risco de ter a sua imagem manchada. Isso também reduz os custos operacionais, como aqueles gerados pelas entregas.

A ideia do canal ‘business-to-employee’ é se firmar com um real benefício para os funcionários e, ainda que não seja uma solução de grande volume de vendas, é uma estratégia complementar. Além disso, é preciso estar atento. A depender do modelo adotado, a estratégia poderá implicar questões trabalhistas e tributárias.

É fato que ainda existe uma estrada bastante longa para o e-commerce B2E, mas é inegável que existem reais oportunidade nesse nicho.

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entrevista com Samuel Gonsales